quinta-feira, 5 de março de 2015

Sobre a bagunça que provocastes em mim...


Como alguém que bagunça a cama quando acorda, você bagunçou meu coração.
Jogou a coberta no chão e me deixou no frio, foi para o seu lado e me deixou sozinho no meu.
Você já não se interessa em arrumar a bagunça que deixou e eu sempre tento ajeitar o meu lado, mas você finge não ver e prefere nunca arrumar a nossa cama.
Você pensa em desfazer dela porque acha que ocupa espaço, mas você não está me vendo aqui? Onde eu irei dormir? Você não se interessa em responder.
Acho que toda a bagunça da nossa cama se perpetuou pelo quarto e em nosso guarda roupa as roupas limpas se misturaram com as roupas sujas e aquela blusa que te dei já não lhe faz o mesmo sentido que fazia ao vesti-la e passar a semana inteira sem tirar.
Na nossa mobília tem muito pó e você não parece querer limpá-la, no chão tem pedaços de comida, que acumulam formigas. 
Você se esqueceu do nosso quarto? Você se esqueceu de mim? De nós?
Você não para mais em casa e está sempre tão ocupada com o seu trabalho e sua família que sempre liga de madrugada te chamando, porque sua tia morreu, mas ela tinha morrido semana passada, ou será que essa é outra?
Eu não sei mais se devo acreditar em seus argumentos sempre tão discursivos e cheios de parênteses politicamente corretos, mas que não me demonstram clareza.
Você costumava arrumar toda a cama, mas agora somente há lados. Você deixa o seu bagunçado e eu tento arrumar o meu. Eu lavo a minha roupa, enquanto a sua contínua suja no guarda roupa. Onde queremos chegar?
Será que nos acomodamos tanto ao ponto de não termos coragem de dizer que já chega?! 
Até onde estamos caminhando pra não percebemos que o nosso tempo já deu?
Quantas vezes a sua tia ainda vai morrer, ou quantas famílias você tem pra isso?
Eu quero a minha casa arrumada, por nós dois. Não quero passar frio, porque o cobertor também é meu! Ninguém te ensinou a dividir? Você parece ser tão egoísta ao ponto de não me reconhecer mais. Eu já não quero mais essa poeira na minha mobília, eu não quero essa tua roupa suja ocupando lugar e nunca sendo lavada, ela já está fedendo e não aguento mais o teu cheiro de mentiras.

Se quiser leve a cama, o guarda roupa, a tv, tudo que eu tenho, mas principalmente se leve pra fora daqui. Todas essas coisas estão bagunçadas, mas podem ser arrumadas, você e eu nunca vamos conseguir nos arrumar. Já nos bagunçamos ao ponto de não sabermos mais ajeitar toda essa nossa confusão.

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